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Vídeo-aula 28: Encaminhamentos pedagógicos na escola pública sobre a questão religiosa

Prof. Roseli Fischmann (FEUSP)

Esta aula abordou o Ensino Religioso na Escola Pública (EREP), que aparece na legislação brasileira nos seguintes documentos:

- Na Constituição Federal (1988), no artigo 210, parágrafo 1º, a matrícula no ensino religioso é facultativa e, no parágrafo 2º assegura aos povos indígenas, o direito a utilizarem suas próprias linguas e métodos de ensino.

- Na Lei 9475/1997, emenda ao artigo 33 da LDB, o ensino religioso aparece como sendo "parte integrante da formação básica do cidadão" estando assegurado o respeito à diversidade religiosa do Brasil e vedado qualquer tipo de proselitismo.
Segundo a Professora Roseli Fischmann, da forma como está colocado, pode gerar o entendimento de que sem a formação religiosa o aluno não será um cidadão pleno. Além disso, o proselitismo ocorre, já que o ensino religioso é frequentemente feito por igrejas ou é feito nas escolas sem uma definição mínima de conteúdos, deixando para o docente a escolha destes.


o Professor deve estar pronto para lidar com a pluralidade e com a singularidade dos alunos, dando abertura para que eles possam compartilhar informações sobre suas crenças, sem permitir que se criem hierarquias, ou que haja julgamento sobre qual religião é a mais correta, ou se não ter crença é errado.



Não se pode permitir que a intolerância ocorra no ambiente escolar, por isso, pode-se relembrar, no âmbito do ensino religioso, de fatos históricos envolvendo as religiões e o fundamentalismo (genocídios, o holocausto, as guerras...)

É importante lembrar que não se pode permitir que as diferenças tornem-se desigualdades. O ensino religioso deve priorizar o conhecimento sobre as manifestações religiosas em suas variadas formas, nas diferentes culturas, mas não deve influenciar os estudantes nem fazer com que se sintam oprimidos caso discordem sobre o que está sendo abordado na aula.

Vídeo-aula 27: A construção da identidade e a produção da diferença: a questão religiosa

Prof. Roseli Fischmann (Faculdade de Educação - USP)

A pluralidade e a singularidade estão presentes em cada ser humano e também na sociedade. Estão relacionadas à origem famliar, ao bairro de moradia, à escola, ou seja, são fatores externos que são processados por cada um, que voltam para a sociedade a partir da identidade de cada pessoa.

A religiosidade pode ser definida por herança ou por escolha pessoal, e está ligada à alteridade, ou seja, como cada indivíduo lida com o outro quando este tem uma crença diferente.

O Brasil é um estado laico, ou seja, o Estado não professa nenhum tipo de religião, conforme consta do artigo 19º da Constituição Federal. Ainda conforme a Constituição, todos somos iguais sem distinção (art. 5º). Desse modo, orgãos públicos, incluindo as escolas, não podem discriminar, nem induzir a crença de ninguém a qualquer forma de manifestação religiosa.





- O tema das religiões tem diversas implicações, de ordem histórica, antropológica, sociológica, política e filosófica.

- A escolha individual de crer ou não crer ocorre no âmbito da consciência de cada indivíduo, que tem a liberdade de exercer a religião que preferir.

- A diversidade religiosa garante a diferença, mas nada tem a ver com a desigualdade, ou seja, não pode haver discriminação religiosa. - PCN: pluralidade cultural como tema transversal.

- É a laicidade do estado que garante os direitos a todos.

- O Estado governa para todos, não para maiorias

- A prática de discriminação religiosa fere a ética e a Constituição Federal, sendo portanto, crime.

Vídeo-aula 24: Gênero e diversidade sexual: desafios para a prática docente

Prof. Claudia Vianna (FEUSP)

"O Estado e suas políticas nacionais e locais interpretam e regulam várias das concepções de família, reprodução, educação, estilo de vida, muitas delas entrelaçadas com a construção das relações de gênero". (Epstein, 2000)


O estado regula as identidades sociais, sendo a mídia e escola, instituições importantes para o reconhecimento das diferenças, ou para a exclusão social, ou seja, para a perpetuação da desigualdade.

O gênero estabelece uma imbricação com a sexualidade e ambos são socialmente construídos.

As políticas públicas para a Educação a partir dos anos 1990 passam por adequações a partir de demandas sociais, e também dos compromissos internacionais em relação aos Direitos Humanos. Nesse contexto foram lançados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) nos quais são elencados temas transversais, dentre eles, as questões relacionadas a gênero e sexualidade.


Embora tenha sido um avanço, por oficializar o tratamento do tema no currículo escolar, críticas à esta abordagem referem-se ao caráter prescritivo, às dificuldades de tratar do tema no cotidiano escolar e a falta de destaque à diversidade sexual. Além disso, há certa desarticulação entre programas, descontinuidades entre governos, divergências, situações estas que dificultam a prática do ensino voltado para as questões de gênero e sexualidade na escola.



Há um grande desafio nesse campo, que é a discriminação presente na sociedade. Foi realizada uma pesquisa entre 2003 e 2004 sobre a visão dos jovens a respeito do preconceito ligado à sexualidade. Foram entrevistados cerca de: 16.400 estudantes entre 10 e 24 anos, 4.500 pais, 3.000 professores do ensino fundamental e médio, em em 14 capitais e no DF. A pesquisa foi realizada em parceria com o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde, a Secretaria de Políticas para Mulheres, o Instituto Ayrton Senna e contou com o apoio da UNESCO, as pesquisadoras são Castrim Abramovay e Silva

Os resultados mostraram que existe grande desconhecimento sobre a sexualidade e também homofobia, com a hierarquização das sexualidades. Esta é a realidade presente nas escolas, o que contribui para transformar a diferença de gênero em desigualdade e exclusão.

A pesquisa mostrou que muitas pessoas não se consideram preconceituosas, mas que mantêm distanciamento em relação a homossexuais. Abaixo, um printscreen da vídeo-aula:



Para reduzir este quadro, é necessário que as práticas escolares reflitam um esforço em reverter este quadro de desconhecimento e preconceito em relação à diversidade sexual. É preciso investir na formação docente. É necessário romper com a reprodução de estereótipos de gênero, e trabalhar diversos modelos de femilidade e masculinidade de modo a acabar com a hierarquização dos gêneros.




O filme Billy Eliot (2000) é uma sugestão para se trabalhar na escola a questão da sexualidade e dos estereótipos de gênero. Trata-se da história de um garoto de 11 anos, cujo pai e o irmão mais velho trabalham como operários na Inglaterra dos anos 1980. Billy faz aula de boxe, mas frequenta secretamente as aulas de balé, escondido do preconceito do pai e do irmão. Na cena abaixo, Billy enfrenta este preconceito e mostra ao pai o seu talento:



Vídeo-aula 23: Relações sociais de gênero: um direito e uma categoria de análise

Prof. Claudia Vianna (Faculdade de Educação - USP)

A noção de gênero nasce no contexto das lutas por direitos sociais, sobretudo das lutas pela ampliação dos direitos das mulheres. A primeira onda do feminismo foi no século XIX, pelo direito ao foto (sufragismo). A segunda onda do feminismo foi na luta pelo aprofundamento das questões sociais e políticas. No campo social, contra a estrutura da família patriarcal.



Nas últimas décadas, alguns avanços ocorreram, como um maior equilíbrio nas relações familiares, uma vez que tem sido cada vez mais comum a divisão do orçamento e das tarefas domésticas entre os casais. No campo social, as mulheres têm conquistado cargos de chefia com mais frequência do que antigamente.
No entanto, há ainda situações de desigualdade que permanessem. Ainda existe assimetria na divisão de poder entre homem e mulher, e as diferenças salariais também existem quando homens e mulheres ocupam cargos equivalentes (os salários das mulheres são em média mais baixos que os dos homens).



Desde o fim dos anos 1960 defende-se que as principais diferenças entre homem e mulher não são biológicas. A pioneira nesta teoria foi Margaret Mead, que na década de 1930 publicou um estudo sobre tribos na Nova Guiné em que homens e mulheres tinham comportamentos inversos aos comuns no mundo ocidental - os homens se ornamentavam e as mulheres saiam para o trabalho. Com isso, constata-se que as diferenças de gênero são claramente construções sociais.

Autor: Laerte. Fonte: http://jaquejesus.blogspot.com.br


Segundo Joan Scott: "O gênero é um elemento constitutivo das relações sociais baseadas na diferenças percebidas entre os sexos".

Link para um artigo interessante do site Obvious, sobre Margaret Mead e seu pioneirismo na discussão sobre os gêneros:
http://obviousmag.org/archives/2010/11/margaret_mead_das_tribos_primitivas_a_revolucao_sexual_feminina.html

Vídeo-aula 20: Diferentes possibilidades culturais no currículo escolar

Prof. Cesar Rodrigues (FEUSP)

Pontos principais desta aula:

Em quais lugares se dá a produção das identidades e diferenças?
- no contexto familiar
- na comunidade local
- na escola, sobretudo na sala de aula
- na mídia em geral e na TV especificamente, a partir da disseminação de uma identidade referência localizada dentro de um certo grupo etnico-racial.

Identidade referência (Lins-Rodrigues, 2010): modelo de ser humano a buscar para se inserir socialmente. No Brasil a imagem predominante é a do euroestadunidense, masculino, branco.

Como as diferenças são perpetuadas?
- a partir de um referencial branco
- as pessoas não se veem representadas

O professor Cesar Rodrigues sugere que as escolas façam um mapeamento cultural, com informações dos alunos, para obter um perfil da comunidade. Ele também apresentou dois exemplos de práticas na escola em formato de projetos interdisciplinares que duraram todo um ano letivo:

- O primeiro projeto foi de um trabalho com a literatura de cordel, típica da cultura nordestina brasileira;
- O segundo projeto foi sobre as escolas de samba, sendo o samba uma manifestação cultural que nasceu da influência das culturas negras (projeto em sintonia com a lei 10.639, que determina o estudo das culturas negra e indígena na escola).



Alguns cuidados a serem tomados tomados ao trabalhar as questões etnico-raciais:
- Fugir de inserções curriculares muito pontuais, que tratam determinados temas de forma episódica.
- O mito da democracia racial
- Manifestações racistas veladas

Vídeo-aula 19: Relações Etnico-raciais na Escola

Prof. Cesar Rodrigues (Faculdade de Educação - USP)

Nesta aula foram abordados os conceitos de raça, racismo e etnia, com base nos trabalhos de Kabengele Munanga, antropólogo da Universidade de São Paulo.

Nesta aula, estes conceitos foram assim definidos:

RAÇA:
- inicialmente o termo foi usado na área da zoologia e da botânica, para classificar espécies animais e vegetais;
- o termo não tem validade para explicar a espécie humana, mas não significa que todas as populações sejam geneticamente semelhantes.
- problema no uso deste termo: hierarquização, com o decreto da raça branca como superior às demais. Relações de poder e denominação envolvendo o conceito de raça.

RACISMO:
- Segundo o dicionário Houaiss, o termo define um conjunto de teorias e crenças que estabelecem hierarquia entre raças/etnias.
- Para Munanga, não é um conceito com significado consensual

ETNIA:
- Conjunto de indivíduos que histórica ou mitologicamente têm ancestral comum, língua comum, mesma religião ou cosmovisão, mesma cultura, habitam o mesmo território (Munanga, 2004).
- A troca do termo "raça" pelo termo "etnia" não altera as relações de poder e dominação.

Fonte da imagem: Universo nova era


Após estas definições, o professor Cesar Rodrigues chamou atenção para o fato de que embora seja comum a afirmação de que o Brasil seja um país de mestiços, esta afirmação é perigosa, pois esconde as grandes diferenças entre as populações e reforça o mito da democracia racial, que de fato não há.

Segundo o autor Kabengele Munanga, "os conceitos de negro e branco têm um fundamento etnico-semântico, político e ideológico, mas não um conteúdo biológico", e que com os estudos genéticos e a constatação de que muitas pessoas de aparência branca possuem marcadores genéticos de origem negra, qualquer pessoa pode se autodenominar negro. Porém, ainda segundo Munanga, existe um "desejo de branqueamento" em nosso país, que faz com que as pessoas não se consideram negras, mesmo que sejam(1).

A escola deve promover a justiça curricular, promovendo espaços de discussão e aprendizagem sobre as questões etnico-raciais, para que os alunos tenham consciência sobre suas identidades e que as reforcem, para que para além da justiça curricular na escola, ocorra também justiça social a partir das ações na escola, que podem se estender para o entorno e para toda a comunidade.

No link abaixo, há uma entrevista concedida por Munanga, à revista Carta Capital, que está publicada no site Viomundo:
http://www.viomundo.com.br/politica/kabengele-munanga-a-educacao-colabora-para-a-perpetuacao-do-racismo.html
Nesta entrevista o autor fala, dentre outros tópicos, sobre as leis que tornaram obrigatórios os estudos sobre a história e a cultura dos povos negros e indígenas, nas escolas públicas. Para além da criação de leis é necessário adequar a formação dos professores para que trabalhem estas questões de forma crítica de modo a possibilitar o entendimento por parte dos alunos sobre as questões étnicas em nosso país e nas relações existentes dentro das escolas, no cotidiano dos alunos.

______________
(1) Fonte: http://umnegro.blogspot.com.br/2008/05/kabengele-munanga-difcil-tarefa-de.html

Vídeo-aula 16: Encaminhamentos Pedagógicos: Blog no ensino de Ciências

Nesta aula, a professora Monica Fogaça, em continuidade à aula anterior, apresentou um projeto desenvolvido em uma escola, envolvendo o uso de um blog na internet como ferramenta de trabalho para desenvolvimento dos conteúdos no ensino de Ciências.

fonte da imagem: link

A ferramenta blog foi escolhida por ser um tipo de ferramenta assíncrona, ou seja, que não requer a presença simultânea das pessoas conectadas, podendo haver um momento maior para reflexão, pesquisa, troca de opiniões.
Já a ferramenta chat, por exemplo, é caracterizada como síncrona, por requisitar que haja ao menos duas pessoas simultaneamente conectadas para que ocorra a interação, que se dá de modo instantâneo.

O blog também permite usos variados, como a divulgação de atividades realizadas, discussões de temas relacionados às aulas, execução de trabalhos em grupo, dentre outras possibilidades.

Na  condução da prática pedagógica, é essencial que haja uma gestão democrática, ou seja, a participação de todos os alunos junto com o professor, na tomada de decisões, para que de fato seja um trabalho conjunto de toda a turma.

Do relato da experiência pudemos notar que o uso da tecnologia permite ampliar muito as possibilidades do trabalho escolar. Trabalhos expostos em um blog na internet permitem que as aulas extrapolem os muros da escola e sejam debatidos a partir de casa, não somente pelos alunos, mas inclusive por alunos de outras escolas e pessoas da comunidade, o que contribui grandemente para o fortalecimento da construção do conhecimento em que o aluno se vê como participante ativo. Além disso, a escrita de um blog favorece o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, à medida que os alunos vão lendo artigos e blogs de outras turmas, aperfeiçoando os próprios textos, lendo para pesquisar fontes para escrever seus textos.

Vídeo-aula 15: A produção da identidade/diferença: culturas juvenis e tecnocultura

Prof. Monica Fogaça (Faculdade de Educação-USP)

Primeiramente foi abordado o conceito de juventude, que segundo foi compreendido nesta aula, está relacionado à cultura muito mais do que à uma condição natural, uma vez que em diferentes sociedades e em diferentes momentos históricos, as pessoas consideradas jovens, apresentam comportamentos diversos.

O conceito de tecnocultura envolve a cultura juvenil urbana. A rede de televisão MTV realizou levantamentos sobre os interesses e costumes dos jovens, entre os anos 1999 e 2000, e o resultado mostrou que mais de 90% dos jovens entrevistados possuíam telefone celular e acesso à internet.

Os aparelhos eletrônicos dão identidade aos jovens, eles sentem-se com certo poder ao terem estes aparelhos nas mãos. Foi mencionado o termo "cyborgs" em referência ao fato de eles estarem o tempo todo segurando aparelhos eletrônicos. Aliás, este tem sido em grande parte das escolas, motivo de controvérsia quanto à permitir ou não o uso destes objetos durante as aulas. O vídeo abaixo, intitulado "os nativos digitais" traz uma reflexão sobre o tema do uso das tecnologias na escola:


 
O ideal é que a escola consiga dialogar com os jovens, conhecer suas práticas, respeitá-las e integrá-las com as práticas da escola. A criação de um híbrido entre o que os jovens requerem e os objetivos da escola pode ser um caminho possível. Adotar ferramentas tecnológicas, escutando o que os alunos possam propor em termos de utilização das tecnologias no trabalho escolar permitirá que o trabalho se desenvolva de modo mais pleno, pois contará com o interesse dos alunos e um melhor rendimento. Claro que usar tecnologias na escola não garante que o aprendizado será melhor, no entanto, desprezar a cultura dos adolescentes, impondo formatos de atividades tradicionais, pode dificultar mais o envolvimento entre professores e alunos, uma vez que as linguagens tecnológicas fazem parte do cotidiano dos adolescentes e podem ser integradas às linguagens utilizadas na escola.
 

Vídeo-aula 12: Multiculturalismo: encaminhamentos pedagógicos

Professor Marcos Neira

Nesta aula o professor apresentou as principais características de um currículo multiculturalmente organizado, as quais transcrevemos a seguir:

- prestigia procedimentos democráticos
- reflete criticamente sobre as práticas sociais (características, origem, transformações etc)
- promove entrecruzamento de culturas, valoriza diversos olhares sobre um mesmo assunto
- resiste à reprodução da ideologia dominante
- questiona as relações de poder nos conteúdos estudados - Quais forças influenciaram o modo como o conteúdo é apresentado?

A prática pedagógica baseada no multiculturalismo deve considerar o conhecimento que o aluno tem sobre o assunto tratado, possibilitando que amplie este conhecimento ao ter contato com outras formas de abordagem sobre o mesmo assunto.

Também é importante que se variem os formatos de atividades, de modo a contemplar as habilidades que todos os alunos apresentam, ou seja, não priorizar somente atividades escritas, mas também trabalhar outras habilidades (leitura, desenho, colagem, trabalho em grupo, pesquisas, debates etc.)

 
Considerar as diversas habilidades que os alunos apresentam relaciona-se a um currículo multicultural, que possibilita a manifestação da aprendizagem por diversos meios.


Elaborar um currículo multicultural implica o reconhecimento da diversidade de culturas e também das diversas habilidades que os alunos apresentam. É necessário considerar que cada aluno traz um conhecimento construído a partir de suas vivências anteriores e externas ao ambiente escolar, e isto influencia nas práticas dentro da escola, o que deve ser considerado e trabalhado de modo a enriquecer as práticas pedagógicas.

Vídeo-aula 11: Políticas Culturais, Multiculturalismo e Currículo

Professor Marcos Neira (USP)

Foram apresentadas várias formas de multiculturalismo, marcadas pela aceitação da diversidade de culturas, mas em geral com a prevalência de um determinado tipo de cultura, que deve se sobrepor às demais, tendendo à homogeneização.

Ao se pensar no currículo escolar, é preciso considerar os critérios de seleção dos conteúdos e atividades, pensando também que o currículo é uma forma de difundir determinadas ideias, que terão influência na formação dos alunos. As decisões sobre conteúdos curriculares envolvem o aspecto político, pois sinaliza o tipo de formação que se pretende, portanto, se se elege currículo que prioriza um determinado tipo de cultura, deixa-se de trabalhar com a infinidade de possibilidades que o multiculturalismo apresenta, propondo às crianças um modo único de ser, determinando indentidades em função da homogeneização cultural.

É importante considerar a construção de um currículo crítico, que valorize as diversas formas de cultura, de modo que todas sejam legitimadas, o que favorece de fato uma convivência democrática e a redução das desigualdades sociais.

Relacionado à discussão desta aula, o filme Entre os Muros da Escola, de Laurent Cantet (2008), suscita a reflexão sobre o currículo e o multiculturalismo. Ocorrem diversos conflitos envolvendo diferenças culturais e o currículo é essencial ponto a ser discutido num contexto de diversidade. O que priorizar? O que deixar de lado? O que é importante que os alunos saibam? O que eles precisam conhecer, ainda que não utilizem em seu cotidiano?

Abaixo o trailer do filme, em que já no início alguns alunos questionam o uso do verbo no modo subjuntivo. Qual a relevância de aprender os modos de conjugação verbal? Por outro lado, como decidir se algum conteúdo é ou não prescindível? Tudo isto deve ser criteriosamente discutido, considerando a comunidade e o contexto no qual a escola está inserida.

Vídeo-aula 8: A convivência democrática e a sociedade contemporânea

Professor Marcos Neira (Universidade de São Paulo)

O multiculturalismo caracteriza a sociedade contemporânea, correspondendo à coexistência de diversas culturas, que atuam interferindo nas relações sociais em diversos graus, permitindo a troca e inclusive a formação de novas identidades.



Esta aula abordou uma contextualização do mundo atual, com uma reorganização geográfica produzida a partir da ascenção do neoliberalismo e seus efeitos; as questões econômicas e políticas e suas implicações nas sociedades; a existência de grupos de identificação dentro das sociedades, compartilhando de marcas comuns, traços que identificam as pessoas como pertencentes a determinados grupos; a disseminação de textos culturais, ou seja, a atuação de livros, televisão, propagandas, que vinculam ideias que fazem com que cada sujeito se posicione diante da realidade, formando identidade.

Como consequências deste contexto, ocorrem situações envolvendo o multiculturalismo, suscitando a reflexão sobre identidade e diferença, abordada na aula anterior pelo professor Mário Nunes e apresentada também nesta aula.

Como reações a todo este contexto, surgem os movimentos sociais, reivindicando a equidade; a adoção de políticas de ações afirmativas. O reconhecimento da diferença é a base da convivência democrática, por isso, não se deve agir como se existisse uma homogeneidade, pois ela não existe de fato. As diferenças é que conferem identidades a cada sujeito, portanto, a diferença deve ser reconhecida e respeitada.

Vídeo-aula 7: Identidade e Diferença na perspectiva dos Estudos Culturais

Aula com o Professor Mário Nunes

O professor identifica três formas de abordagem para a identidade:
- Iluminista: nasce com o indivíduo e não se desenvolve (da mesma forma que a ideia sobre talento inato)
- Sociológica: a identidade sofre influência nas interações - o meio influencia, bem ou mal (segundo o professor, esta é a visão dominante na Escola)
- Pós-moderna: não há um valor soberano. A identidade é transitória e contraditória. Cada sujeito possui várias identidades: de gênero, de classe social, de religião etc. (não há uma única identidade).

IDENTIDADE é a norma, o idêntico, o "correto";
DIFERENÇA é o "outro", o que não está de acordo com a norma.
Identidade e diferença são construções sociais. Assim, questões de poder estão envolvidas, do que resultam lutas sociais pelo direito do respeito à diferença.

Os sistemas classificatórios das identidades estão ligados à hierarquização. Segundo o professor Mário Nunes, "quem tem o poder de classificar tem o privilégio de atribuir valores e hierarquizar as coisas classificadas".
Há também as oposições binárias, como por exemplo: razão/emoção; mente/corpo; homem/mulher; branco/negro; civilizado/primitivo; heterossexual/homossexual, havendo sempre a valorização de um em relação ao outro.

Os sistemas simbólicos (roupas, filmes, música, ritos) têm grande participação na construção de identidade, sobretudo entre os jovens. Quando associada à diferença, a identidade se dá pela distinção daquilo que o indivíduo não é.

A ideia de identidade híbrida também foi abordada. O híbrido guarda traços das identidades que o geraram, mas já não é mais nem uma nem outra.



Um objetivo a ser buscado na escola é o de reconhecer a todos na sua diferença e capacidade de tomada de decisão para construção de um bem coletivo.

Vídeo-aula 4: Os Estudos Culturais e a Convivência Democrática

Esta aula do professor Mário Nunes aborda os estudos culturais e como estes contribuem para uma educação que vise a uma convivência democrática. Desta aula, compreende-se que os estudos culturais tiveram início após a Segunda Guerra Mundial, num momento em que intelectuais das classes populares passaram a criticar as distorções entre a cultura elitizada e a cultura popular e de massas. Crítica esta que se iniciou em um contexto de expansão do capitalismo e da indústria de massas, com a ampliação do acesso aos meios de comunicação.

Os meios de comunicação de massa. Fonte da imagem.


Transcreve-se a seguir um trecho da fala de introdução do professor Mário Nunes:

Em virtude de seu compromisso de examinar práticas culturais a partir de seu envolvimento com e no interior das relações de poder, os estudos culturais contribuem para as análises do processo de regulação e produção de sujeitos na sociedade e, particularmente, nas escolas. Sua recusa em desvincular a política do poder do processo de formação em qualquer âmbito social faz com que os estudos culturais reforcem a ideia de que a Educação não pode ignorar as difíceis questões da relação entre cultura, mercado, estado e sociedade civil, que define os significados e as metas da formação na Educação.


Conceitualmente, os estudos culturais foram definidos nesta aula como sendo um projeto político, já que não pretendem ser neutros, tomando partido dos grupos menos privilegiados; trabalham numa perspectiva trans/anti/pós-disciplinar, ou seja, ultrapassando as fronteiras disciplinares, que tendem a limitar o campo de estudo; e têm uma inserção com características da pós-modernidade.

Nos estudos culturais o conceito de cultura perde sua condição singular e ganha pluralidade (diversas culturas, não mais uma cultura única e hegemônica)

Segundo o professor Mário Nunes, os principais tipos de regulação da cultura (regulação do sujeito contemporâneo) são:
- Normativa: por um conjunto de regras e convenções construídas culturalmente.
- Sistemas classificatórios: as ações dos sujeitos são classificadas e comparadas com base em padrões aceitáveis ou não em determinado grupo cultural.
- Construção de novas subjetividades (novas identidades): definidas através de alterações no sistema organizacional em que vivemos.

Na conclusão da aula, foi possível sintetizar que: uma prática pedagógica baseada nos estudos culturais deve ser "perturbadora das formas hegemônicas", considerando a complexidade das relações sociais que perpassam todos os níveis da existência humana, possibilitando a convivência democrática das diferenças.

Vídeo-aula 3: A globalização e seus impactos sobre as culturas

Aula do professor Mário Nunes (Universidade de São Paulo)

O mundo globalizado tem características marcantes no comércio, entretenimento e também nas relaçõe econômicas e sociais. Algumas definições sobre a globalização envolvem:
- a ascensão do neoliberalismo como discurso político dominante
- a atuação de grandes corporações empresariais, com forte estímulo ao consumismo:
     --> desapego à própria história pessoal
     --> obsolescência programada dos produtos
- meios de comunicação de massa ditando comportamentos homogeneizados
     --> vestuário, fast foods, carros etc.

Na charge, a globalização homogeniza a todos. Fonte da imagem.

E se por um lado a globalização tende a homogeneizar costumes e comportamentos, por outro lado, há também resistências, o que está ligado aos fundamentalismos, à xenofobia, que incitam a violência, tanto física quanto simbólica.
O conceito de identidades híbridas está relacionado ao surgimento de novas identidades a partir da fragmentação/desarticulação de identidades preexistentes.

Segundo o professor Mário Nunes, a Educação pode atuar nesse contexto, cuidando para não se tornar simplesmente um lugar de formação de trabalhadores de baixa qualificação. O professor também aponta o movimento de empresas que criam seus próprios sistemas de ensino, suas próprias escolas (exemplo do banco Bradesco, ou da Federação das Indústrias - SESI).
Há a necessidade de trabalhar com os alunos a noção de que a globalização traz inúmeras implicações nos campos político, econômico e cultural/social.